domingo, 16 de setembro de 2012

POLÍTICAS PARA O AVC


Jornal do Brasil/Vanderson Carvalho Neri*
O Acidente Vascular Cerebral (AVC como é conhecido popularmente), é a principal doença primária, em números absolutos, que atinge o sistema nervoso central em nosso país, só perdendo para os traumatismos, que são consideradas causas secundárias de lesão. Trata-se de uma doença de alta prevalência, que atualmente deixou de ser uma enfermidade preferencial da população idosa e vem acometendo em maior número também indivíduos jovens, que anteriormente estavam fora da faixa de riscos para essa condição.
Primeira causa de morte e incapacidade por doença crônica no Brasil, o AVC constitui ainda hoje um problema de saúde pública nacional porque vem atingindo, sobretudo, uma parcela economicamente ativa da sociedade. Devido à sua magnitude de acometimento em todas as classes sociais e com uma incidência crescente com o passar dos anos, a doença também é uma questão econômica importante, pois contribui com um enorme déficit da previdência social, que tem que custear proventos para essa classe laboralmente acometida.
Em recente divulgação do Ministério da Saúde para o tratamento do AVC, foi instituído que será ampliada a distribuição de medicamentos e o atendimento a pacientes que se tratam pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. Essas políticas foram divulgados durante as atividades do Dia Mundial do AVC, lembrado sempre no dia 29 de outubro em todo o mundo, e com previsão de ocorrer a partir desse ano, cujo objetivo é amenizar o impacto e os danos da doença em nossa população.
A proposta do governo para abordar esse dilema é aumentar os leitos hospitalares, sobretudo os de UTIs, criar novos centros de referência e amplificar a distribuição de medicamentos específicos, os chamados trombolíticos, que “dissolvem” o coágulo, quando a causa é por uma isquemia cerebral; esse medicamento quando utilizado a tempo, pode evitar sequelas e a até a morte do paciente.
Essas iniciativas, apesar de muito importantes, não serão suficientes para barrar o avanço da doença, que vem seqüelando pessoas de uma ampla faixa etária e em todas as regiões do país, em uma curva ascendente de progressão. Novos leitos hospitalares, fornecimento de recursos diagnósticos e medicamentos e atendimento domiciliar, que devem custar 440 milhões de reais aos cofres públicos, como prevêem as novas propostas, são importantes para implementar as esferas secundária e terciária do atendimento público e essenciais para o diagnóstico complementar e tratamento, mas de lesões já instaladas e para o seguimento de indivíduos já doentes.
Mas é preciso mais. Deve-se investir também, e prioritariamente, no processo de prevenção primária: no controle da hipertensão arterial, do diabetes, no combate à obesidade, ao tabagismo e implementar programas de alimentação saudável e atividade física, daí a importância dos programas de saúde da família e das ações de prevenção e promoção de saúde. Essas políticas são essenciais haja vista o poder de destruição da hipertensão arterial e do diabetes, por exemplo, doenças silenciosas, muito comuns, que são muitas vezes mal diagnosticadas e que nesse caso, fornecem subsídios para complicações secundárias, como o próprio AVC ou outras doenças tão graves como o infarto do miocárdio. O envelhecimento saudável também deve passar por essas ações, já que nossa sociedade envelhece a passos largos e isso é um fator agravante e, se não for bem conduzido, contribui para a amplificação dos efeitos da doença.
Educar e orientar a população parece ser a via mais fácil e barata para combater essa epidemia de pacientes “sequelados” pelo AVC. Para reduzir de fato o impacto da doença em nossa sociedade é preciso ter em mente que prevenir ainda é melhor do que paliar ou remediar.
*Vanderson Carvalho Neri é médico neurologista

Olho Biônico


Um "olho biônico" que permite ver a claridade devolveu a um homem, cuja visão foi se apagando lentamente nos últimos 30 anos, a esperança de ver algum dia o rosto de seu neto. Elias Konstantopoulos, um eletricista nascido na Grécia e que emigrou para os Estados Unidos quando era jovem, percebeu aos 43 anos que tinha problemas de vista e quando consultou o oculista descobriu que sua visão periférica estava se deteriorando.
Diagnosticado com uma doença incurável conhecida por retinite pigmentosa, que afeta uma em cada três mil pessoas nos Estados Unidos, dez anos depois Elias já não exergava o suficiente para seguir trabalhando.
Em 2009, quando foi perguntado pelo médico se queria participar de uma pesquisa que incluía a aplicação de eletrodos em seu olho e uma câmera sem fios, Elias Konstantopoulos aceitou imediatamente.
Agora, quando está diante da janela e escuta o barulho de um carro passando, Elias é capaz de perceber o movimento de um bloco de luz. Também pode distinguir objetos luminosos coloridos contra fundos negros, se deslocar sem ajuda por sua casa e distinguir se uma porta ou janela estão abertas.
O "olho biônico", chamado de Argus II, é fabricado pela empresa californiana Second Sight. Recentemente aprovado na Europa e nos Estados Unidos, é a esperança para pacientes como Konstantopoulos.
"Sem este sistema, não posso ver nada; mas com ele existe alguma esperança", disse. O Argus II é parte de uma área de conhecimento cada vez mais ampla chamada de neuromodulação, que ajuda as pessoas a recuperar capacidades perdidas como a visão, a audição ou o movimento por estimulação do cérebro, coluna vertebral e nervos.
Fonte: site neuroengenharia.com
Protótipo do olho biônico, que pode auxiliar os cegos a enxergar.

Cego volta a enxergar após ter chip implantado no olho


Cientistas da Alemanha implantaram um chip atrás de uma das retinas de um homem finlandês e este afirma ter voltado a enxergar. Mikka Terho, que sofre de uma rara doença hereditária chamada retinite pigmentosa, começou a ficar cego durante a sua adolescência.

O chip é um apenas um protótipo que fornece avisos visuais, mas os pesquisadores estão tão entusiasmados com os resultados que já pensam em realizar testes no Reino Unido. O comitê de ética britânico aprovou testes com 12 pessoas no país, que serão realizados em Oxford e em Londres.
Essa não é a primeira vez que chips são usados para recuperar a visão. Em outros experimentos, uma câmera montada em óculos envia informações para chips implantados na retina. Porém, o experimento com o chip alemão promete usar os olhos dos próprios cegos para fazê-los enxergar novamente.

Fonte: neuroengenharia.com
BBC Brasil

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

FOTO DA SEMANA


Flagrante Inédito! Este neurônio está sob o efeito da proteína beta-amilóide. A proteína gera uma placa, as chamadas placas de senilidade, que, acredita-se, seriam as principais causas da Doença de Alzheimer. (Foto do Prêmio Eureca New Scientist para Fotos Científicas do Museu Australiano)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cientistas conseguem restaurar olfato com terapia genética


Revista Veja 03/09/2012
Cientistas americanos conseguiram pela primeira vez restaurar o olfato de um camundongo com o uso de terapia genética. O tratamento pode vir a ajudar pessoas que nasceram com anosmia – a incapacidade de sentir cheiros. 
Segundo os cientistas responsáveis pelo estudo que testou o tratamento, a terapia regenera estruturas celulares ciliadas, que existem no revestimento interno da traqueia e dos brônquios. Esses cílios funcionam como “antenas” que percebem o ambiente. São essenciais para o sentido olfativo. Universidade Duke, Universidade Paris V, Universidade de St. James e Universidade do Alabama
Embora o tratamento tenha como alvo as pessoas que nasceram sem olfato, os cientistas afirmam que ele também pode vir a ser útil para pessoas que perderam a capacidade de sentir cheiro por causa da idade, traumas ou acidentes. 
"Nós essencialmente induzimos os neurônios que transmitem o sentido do olfato a recuperar os cílios que faltavam”, disse Jeffrey Martens, cientista da Universidade de Michigan (EUA), que participou do estudo, publicado na edição desta semana do períodico Nature Medicine.
Pouco apetite — Segundo Martens, os camundongos analisados tinham problemas que afetavam um gene chamado IFT88, o que prejudicava o crescimento e o funcionamento dos cílios em seus corpos. De acordo com os cientistas, por causa do problema, os camundongos se alimentavam pouco, já que o apetite de muitos mamíferos é motivado pelo cheiro, e tinham mortes precoces.
Os pesquisadores então inseriram genes IFT88 saudáveis em uma amostra de vírus de gripe comum e contaminaram os camundongos com ele. A infecção permitiu que o vírus espalhasse os genes saudáveis nas células dos camundongos. Os cientistas então passaram a monitorar os camundongos para verificar a recuperação dos cílios.
Segundo o estudo, após o início da terapia, os camundongos começaram a comer mais e, 14 dias depois, já tinham aumentado seu peso em 60%. Testes também mostraram que os neurônios envolvidos na percepção do cheiro reagiam quando os camundongos eram expostos a amostras de acetato de amila, um produto com forte cheiro de banana.
"Nós já sabemos muito sobre o olfato, agora precisamos aprender a consertá-lo quando ele funcionar mal", disse Martens. Os cientistas também esperam que o tratamento possa vir a ajudar vítimas de outras ciliopatias (doenças na estrutura ciliar do corpo), como doença do rim policístico e a Síndrome de Alstrom, ambas doenças provocadas por desordem no IFT88.

Resumo do artigo publicado na Nature Medicine Set. 2012
 2012 Sep 2. doi: 10.1038/nm.2860. [Epub ahead of print]

Gene therapy rescues cilia defects and restores olfactory function in a mammalian ciliopathy model.

Source

Department of Pharmacology, University of Michigan, Ann Arbor, Michigan, USA.

Abstract

Cilia are evolutionarily conserved microtubule-based organelles that are crucial for diverse biological functions, including motility, cell signaling and sensory perception. In humans, alterations in the formation and function of cilia manifest clinically as ciliopathies, a growing class of pleiotropic genetic disorders. Despite the substantial progress that has been made in identifying genes that cause ciliopathies, therapies for these disorders are not yet available to patients. Although mice with a hypomorphic mutation in the intraflagellar transport protein IFT88 (Ift88(Tg737Rpw) mice, also known as ORPK mice) have been well studied, the relevance of IFT88 mutations to human pathology is unknown. We show that a mutation in IFT88 causes a hitherto unknown human ciliopathy. In vivo complementation assays in zebrafish and mIMCD3 cells show the pathogenicity of this newly discovered allele. We further show that ORPK mice are functionally anosmic as a result of the loss of cilia on their olfactory sensory neurons (OSNs). Notably, adenoviral-mediated expression of IFT88 in mature, fully differentiated OSNs of ORPK mice is sufficient to restore ciliary structures and rescue olfactory function. These studies are the first to use in vivo therapeutic treatment to reestablish cilia in a mammalian ciliopathy. More broadly, our studies indicate that gene therapy is a viable option for cellular and functional rescue of the complex ciliary organelle in established differentiated cells.



segunda-feira, 3 de setembro de 2012


A MACONHA EM DEBATE


Jornal do BrasilVanderson Carvalho Neri*
Segundo dados recentes divulgados por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), um em cada dez brasileiros adultos já experimentou maconha. De acordo com dados da mesma pesquisa, 1,5 milhão de usuários usam a erva frequentemente no país, e deste total, 1,3 milhão, aproximadamente, já são considerados dependentes. Trata-se, portanto, da droga ilícita mais consumida no país.
A Cannabis sativa, nome científico dessa erva conhecida pela humanidade há cerca de 6 mil anos, tem sido alvo de discussão e debates ao redor do  mundo a respeito de seus efeitos sobre o organismo e o impacto que sua legalização teria sobre a sociedade. No último relatório da Organização das Nações Unidas sobre o assunto, a instituição estima em 150 milhões o número de usuários diários da planta ao redor do mundo, mas, por se tratar de uma prática ilícita, esse número pode ser ainda maior devido à inibição do usuário em responder aos institutos de pesquisa.
Estatísticas à parte, o que temos certeza é que a Cannabis possui efeito direto sobre o sistema nervoso central, principal alvo da ação dos  seus canabinoides na gênese do efeito alucinógeno e do “bem-estar”. É sabido que sua ação altera, a longo prazo, a percepção e a cognição, pode aliviar o estresse físico e mental, mas tem grande chance de levar à dependência psicológica. Seu efeito entorpecente, por exemplo, condiciona o indivíduo à amnésia, lentificação do raciocínio, diminuição dos reflexos e alteração dos atos motores.
A dependência se concretiza e manifesta quando há a presença de alterações físicas ou emocionais na ausência do consumo da substância. No contexto das drogas ilícitas, a maconha tem um menor efeito de dependência, sobretudo se comparada com outras classes, como o álcool, o crack ou a heroína. Entretanto, como existe um alto número de consumidores, proporcionalmente, o número de dependentes também é muito significativo, e por isso tem grande impacto social.
Apesar disso, o número de políticas governamentais ou públicas que atentem sobre esse fato são modestas, o que vulnerabiliza a situação dos dependentes e colabora para a formação de novos usuários e, consequentemente, a fomentação do crime organizado e do banditismo social.
O debate mundial a respeito dessa “planta da discórdia” tem várias vertentes: saúde pública, econômica e legal. No tocante à saúde, devido aos seus efeitos lesivos sobre o organismo do dependente e o impacto disso na sociedade; economicamente, pelo consumo desenfreado de uma substância não tributada; e legal, por se tratar de um dos braços de financiamento da máfia e do crime organizado. Nesse conjunto de substâncias ditas ilícitas, também devem ser lembradas a heroína, o crack, o ecstasy, o haxixe e o LSD, entre outras menos consumidas, além, é claro, do álcool, substância psicoativa de maior consumo em todo o mundo, com efeitos mais devastadores do que todas as outras juntas.
O fato é que todas essas composições químicas, incluindo a maconha, têm efeitos nefastos sobre o organismo do usuário e sobre a sociedade. Também é fato que a humanidade não caminhará em seus dias sem a presença de drogas lícitas e ilícitas; seria ingenuidade de nossa parte pensar o contrário.
Por isso, a discussão a respeito do uso da maconha não deve só se reter apenas no potencial de dependência da droga, ou nas características de sua legalização, mas preferencialmente na implementação de políticas públicas que atuem efetivamente na educação, esclarecimentos, na prevenção do consumo desenfreado e no tratamento de usuários com uso sintomático, hoje talvez aspectos pouco valorizados no debate sobre a droga e essenciais para o controle da atual situação. 
* Vanderson Carvalho Neri é médico neurologista. - vandersoncn@yahoo.com.br

sábado, 4 de agosto de 2012

ESCLEROSE MÚLTIPLA: CONSCIENTIZAÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE


Jornal do Brasil
Vanderson Carvalho Neri
O mês de agosto é conhecido nacionalmente como o mês da conscientização sobre a Esclerose Múltipla, já que no dia 30 lembramos a luta contra essa importante doença. Esse destaque é dado, já que se trata de uma síndrome inflamatória do Sistema Nervoso Central, que atualmente acomete mais de 30 mil pessoas no Brasil (segundo dados da Abem, Associação Brasileira de Esclerose Múltipla), e mais de outros 2,5 milhões ao redor do mundo. É a mais conhecida e prevalente doença inflamatória do sistema nervoso que conhecemos atualmente.
Até o momento, a doença não possui uma causa definida, mas sabemos que acomete preferencialmente mulheres jovens e de raça branca, e que pode ter um curso insidioso e progressivo. Sua maior prevalência está no Hemisfério Norte do planeta, onde a população de brancos é maior; mesmo assim, sua atual prevalência no Brasil gira em torno de 5 a 10/100.000 habitantes, fato que nos coloca em atenção, sobretudo para a realização de um diagnóstico precoce e correto na população mais vulnerável.
Essa enfermidade ocorre por uma “falha” no sistema de defesa do organismo, que passa a atacar tipos celulares específicos do sistema nervoso, vulnerabilizando a função dos neurônios, principais células desse sistema. É chamada de múltipla, pois vários segmentos do sistema nervoso podem ser acometidos com o desenvolvimento do quadro, gerando sintomas variados, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico, por ser confundida com outras síndromes neurológicas.
Os seus sintomas são diversos, podendo a síndrome se apresentar de diversas formas: alteração da visão, da força muscular, da sensibilidade, comprometimento do equilíbrio ou da marcha, que podem ocorrer em graus variados. A forma mais frequente da doença ocorre sob a forma de surtos e remissões, em que os sintomas ocorrem esporadicamente (durante a atividade inflamatória da doença), podendo até remitir espontaneamente, fato que em muitas ocasiões não leva o paciente a procurar ajuda especializada.
A Esclerose Múltipla é uma doença silenciosa e desconhecida pela maior parte da população, mas que atualmente atinge em grande parte grupos economicamente ativos da sociedade, podendo gerar importantes repercussões nas atividades diárias do paciente, sobretudo ao deixar sequelas, que na imensa maioria dos casos é irreversível. Trata-se de uma doença que não tem cura, mas há tratamento eficaz que pode coibir o avanço das lesões e, com isso, evitar a presença de sequelas mais graves. Felizmente, o tratamento clínico, de alto custo, é subsidiado pelo Estado há vários anos, sem ônus para o paciente.
A grande importância de datas como esta é tornar pública e notória a importância do diagnóstico e do tratamento da enfermidade, além de gerar discussões que promovam o conhecimento e a educação da sociedade em relação a doenças crônicas como essa. Informar a população quanto aos sinais e sintomas da doença é muito importante, uma vez que assim atingiremos o diagnóstico precoce, com o referenciamento adequado desses pacientes aos centros especializados. Seu diagnóstico não compreende uma sentença, mas apresenta a oportunidade de tornarmos a vida do paciente mais digna e com maior qualidade, objetivo primário do atual tratamento, após um diagnóstico correto.
 *Vanderson Carvalho Neri é medico neurologista. - vandersoncn@yahoo.com.br


quarta-feira, 25 de julho de 2012

MARCA PASSO NO CÉREBRO PARA TRATAR OBESIDADE


MARIANA VERSOLATO
FOLHA DE SÃO PAULO 24/07/2012

Usado há quase duas décadas no controle dos sintomas da doença de Parkinson, o marca-passo cerebral será testado pela primeira vez no Brasil para obesidade mórbida e depressão.
A esperança é adicionar mais uma opção ao arsenal de tratamentos, como medicamentos e cirurgia.
As pesquisas serão desenvolvidas no Centro de Neurociência do HCor (Hospital do Coração) em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do IEP (Instituto de Ensino e Pesquisa) do hospital.
Dois neurocirurgiões brasileiros que acabam de voltar ao país depois de uma longa temporada nos EUA serão os responsáveis pelos estudos.
Professores de neurocirurgia na UCLA (Universidade da Califórnia), Antonio De Salles e Alessandra Gorgulho têm vasta experiência na área.
O grupo de pesquisa do qual fazem parte realizou estudos para o tratamento da depressão com essa técnica. E ambos já desenvolveram pesquisas com a estimulação elétrica cerebral em primatas e suínos para tratar a obesidade mórbida.
"Trata-se de uma ferramenta útil e poderosa que está sendo usada cada vez mais em outras áreas. Com o advento da tecnologia, o potencial de crescimento é enorme", afirma Gorgulho.
Ela diz que no Canadá há uma linha de pesquisa que estuda a técnica para mal de Alzheimer e o próprio casal já fez estudos em animais para o tratamento de estresse pós-traumático.

COMO FUNCIONA
No tratamento da doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, eletrodos são inseridos no cérebro e ligados a um marca-passo colocado sob a pele.
Por meio de impulsos elétricos, os sinais do cérebro que geram tremores e rigidez muscular são inibidos. O tratamento é reversível.
Já para tratar a depressão um dos novos estudos vai testar a eficácia da neuromodulação no nervo trigêmeo, cujas fibras carregam informações sensoriais e as projetam para estruturas do cérebro envolvidas na doença.
Pela primeira vez, os eletrodos serão implantados sob a pele nesse nervo e conectados a um marca-passo para tratar a depressão. A pesquisa deverá ter 22 participantes.
Para a obesidade mórbida o objetivo é implantar eletrodos cerebrais em uma área responsável pela saciedade em seis pacientes que não obtiveram sucesso com a cirurgia bariátrica.
"Também será a primeira vez que os eletrodos serão implantados nesse alvo do hipotálamo para obesidade. A ideia é verificar segurança e viabilidade", diz Gorgulho.
Segundo Henrique Ballalai, da Academia Brasileira de Neurologia, um estudo como esse faz bastante sentido porque há áreas do cérebro que controlam o apetite.
"Mas tem que ter um grande comprometimento; não se pode pensar que isso poderá ser usado para estética", diz.
Otávio Berwanger, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do HCor, diz que a pesquisa visa uma nova alternativa para os pacientes com obesidade avançada que falharam com todas as opções de tratamento.
Ele ressalta, porém, que se tratam de pesquisas iniciais, que devem ter início em 2013. Apesar de a técnica cirúrgica ser segura e conhecida, é necessário que os estudos apontem que ela também é eficaz para essas novas aplicações.