sábado, 7 de julho de 2012

CÉLULAS TRONCO PARA RESTABELECER A VISÃO


Milhões de células fotorreceptoras que residem na retina humana captam luz e a transmitem sinais para o cérebro. Quando essas células coletoras de luz morrem, há perda de visão. Na esperança de reverter a cegueira, pesquisadores passaram a investigar as células-tronco, e experimentos recentes mostraram que elas poderiam substituir fotorreceptores perdidos na forma mais comum de cegueira, a degeneração macular. O problema afeta 10% dos americanos com mais de 65 anos. Ele danifica primeiramente a mucosa protetora chamada epitélio do pigmento da retina (EPR), que transporta nutrientes para as células fotorreceptoras e é vital para sua sobrevivência. Um transplante de tecido EPR novo pode salvar esses fotorreceptores moribundos.

A abordagem, porém, não costuma ser viável por causa da grande quantidade de tecido necessária para tratar milhões de pessoas que mostram os sinais de início da doença. cientistas da empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology, em Worcester, Massachusetts, conseguiram gerar uma fonte abundante de células EPR. Em 2004, criaram uma forma de persuadir células-tronco embrionárias a se transformar em tecido EPR transplantável. Num experimento seguinte, injetaram as células transformadas nos olhos de ratos com um defeito genético localizado no tecido EPR, que levava à destruição de suas células fotorreceptoras. Os pesquisadores relataram no periódico Cloning and Stem Cells de setembro de 2006 que várias semanas após o transplante, tempo suficiente para os efeitos da doença surgirem, os ratos que haviam recebido o tratamento ainda eram capazes de acompanhar listras num cilindro em rotação duas vezes melhor que os não tratados. Sua visão, entretanto, ainda estava bem abaixo do normal.
Em última análise, para tratar casos avançados de degeneração macular ou outros problemas nas células fotorreceptoras, será preciso reparar as próprias células afetadas. Recentemente, pesquisadores da University College de Londres e de outras instituições anunciaram que extraíram células de retinas de ratos em diferentes estágios de desenvolvimento e as transplantaram com sucesso em ratos cegos. Eles descobriram que células fotorreceptoras imaturas de ratos recém-nascidos saudáveis, e não células embrionárias ou de ratos adultos, têm a capacidade de migrar para a região correta da retina e continuar a se desenvolver como células fotorreceptoras maduras. As pupilas que receberam essas células também se tornaram muito mais sensíveis à luz que aquelas que não receberam o transplante. Tais descobertas sugerem qual é o melhor estágio do desenvolvimento realizar esse transplante – por exemplo, células fotorreceptoras precisam ser relativamente mais maduras que células-tronco, de acordo com Thomas Reh, da Universidade de Washington, que estuda o desenvolvimento da retina. O equivalente humano das células de ratos, no entanto, precisa ser isolado de retinas fetais, o que levanta o problema de encontrar uma fonte para as imaturas. Células-tronco da córnea ou adultas podem ser alternativas para a geração de fotorreceptoras imaturas.

Em seu laboratório, Reh transforma células-tronco embrionárias em células-tronco da retina, mas apenas 6% delas se tornam fotorreceptoras. Esse rendimento, apesar de baixo, não é desencorajador, de acordo com Evan Snyder, pesquisador de células-tronco do Instituto Burnham de Pesquisa Médica em La Jolla, na Califórnia. Ao estudarem o que impele esses 6% a se tornar células fotorreceptoras, os pesquisadores podem descobrir como gerar um número maior de células transplantáveis. Eles também podem criar uma forma de selecionar as células certas de uma população mista: Anand Swaroop, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, trabalha numa forma de identificar e selecionar células receptoras concentrando-se nas proteínas presentes na sua superfície. Depois de gerar uma fonte e superar as preocupações de segurança associadas com o transplante de células-tronco, os pesquisadores ainda encaram seu maior desafio: mostrar que os fotorreceptores transplantados se comunicam com outros neurônios que irão com o tempo se ligar ao nervo óptico. Cada fotorreceptor precisa fazer centenas de ligações críticas. “Ter o tipo de célula certa não significa ter encontrado a maneira certa de conectar o circuito”, diz Snyder. Os fotorreceptores imaturos transplantados de retinas de ratos mostram atividade, mas Swaroop adverte que testes comportamentais precisam determinar que as células fotorreceptoras estão sendo reparadas. Uma ligação parcial pode gerar a atividade vista nas pupilas dos ratos, mas a melhora real da visão depende da capacidade dos animais de reagir a cores e outros sinais visuais. Afinal, é preciso ver para crer.
Alison Snyder, para a revista Mente e Cérebro


Cones, células da visão em cores da retina, vistas por microscopia eletrônica.

domingo, 1 de julho de 2012

CÉLULAS TRONCO BENEFICIAM CAMUNDONGOS COM DISTROFIA MUSCULAR



Pela primeira vez, cientistas conseguiram transformar células adultas de pacientes com distrofia muscular em células-tronco e obter a partir destas células precursoras de músculos. A nova técnica pode ser usada no futuro para tratar pacientes com distrofia muscular de cintura-membro, um tipo raro da doença que ataca ombros e quadril, e possivelmente outras variações. O estudo foi publicado no periódico Science Translational Medicine.
Há nove formas de distrofia muscular. São doenças que atacam o músculo esquelético e prejudicam a mobilidade do paciente. Nos casos mais severos, causam disfunção respiratória e cardíaca. Não há tratamento, embora muitas abordagens estejam entrando na fase de testes clínicos, inclusive a terapia com células-tronco.
Técnica inovadora 
No novo estudo, os cientistas primeiro modificaram geneticamente uma célula chamada mesoangioblasto, que pode ser derivada de vasos sanguíneos e que, em estudos anteriores, mostrou potencial para tratar a distrofia muscular. Contudo, os pesquisadores descobriram que não era possível conseguir um número suficiente de mesoangioblastos de pacientes com distrofia muscular de cintura.

Os cientistas então reprogramaram células adultas de pacientes com distrofia muscular de cinturas em células-tronco. Essas células foram diferenciadas em mesoangioblastos. Em seguida, as novas células foram injetadas em camundongos com distrofia muscular. Os cientistas observaram que as células injetadas se acumularam nas fibras musculares dos animais.

Os pesquisadores também mostraram que quando as células eram derivadas de camundongos, e não de humanos, as células transplantadas fortaleciam o músculo danificado e permitiam aos animais doentes correr por mais tempo do que camundongos doentes que não receberam as células. Os pesquisadores agora avaliam o procedimento para iniciar testes clínicos com humanos. "Essa técnica pode ser útil para o tratamento futuro de distrofia muscular de cinturas e possivelmente outros tipos", disse Francesco Tedesco, chefe da pesquisa.



Fonte: Revista Veja






terça-feira, 26 de junho de 2012

QUANTAS FIGURAS VOCÊ ESTÁ VENDO?



Se você respondeu que são dois idosos se olhando você acertou. Se você disse que são dois homens sentados, um deles tocando violão, também acertou. Trata-se de um caso de ilusão de óptica clássico, mas a medida que você descobre o mistério não consegue mais se confundir.

QUANTAS PERNAS TEM ESSE ELEFANTE?


QUADRADOS ESQUISITOS

VOCÊ ACHA QUE ESSES QUADRADOS ESTÃO ALINHADOS?



Sim, todos estão alinhados, é o fundo que nos ilude com essa perspectiva. O cérebro foi enganado mais uma vez!!

SERÁ ILUSÃO?

OLHE PARA ESSA FIGURA. OS CÍRCULOS ESTÃO GIRANDO?




Nada está girando; o desenho não se mexe. Os movimentos estão no nosso cérebro; trata-se de uma ilusão de ótica feita para pegar nosso cérebro.

IMAGEM DA SEMANA



IMAGEM DE MICROSCOPIA FLUORESCENTE DE HIPOCAMPO DE RATO


Description: Widefield multiphoton fluorescence image of Rat hippocampus stained to reveal the distribution of glia (cyan), neurofilaments (green) and cell nuclei (yellow). 2nd Prize, 2010 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®.

Author: Thomas Deerinck and the 2010 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®

 http://www.cellimagelibrary.org/images/40967

Jovens tomam medicamento controlado para ‘turbinar’ estudos


Revista Veja
25/062012
São Paulo - Um remédio para tratar transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que deveria ser vendido apenas com receita médica, passou a ser usado sem prescrição por estudantes e candidatos de concursos públicos interessados em “turbinar” o cérebro para os estudos. Neste ano, o cloridrato de metilfenidato, comercialmente conhecido como Ritalina ou Concerta, apareceu no rol de medicamentos apreendidos pela Polícia Civil em operações para coibir a venda ilegal de fármacos.

Segundo o delegado assistente Paulo Alberto Mendes Pereira, da 2ª Delegacia de Saúde Pública do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), há um ano o metilfenidato não constava na lista de medicamentos apreendidos. “Agora, toda operação com medicamentos irregulares tem Ritalina”, diz o delegado. Isso chamou a atenção porque a droga é usada especialmente em crianças. “Investigando o consumidor final, chegamos aos ‘concurseiros’: gente que está estudando para concursos públicos ou vestibulares concorridos”, esclarece.

Médicos ouvidos pelo Jornal da Tarde confirmam que jovens sem diagnóstico de TDAH, interessados apenas em aumentar a capacidade cognitiva, têm procurado o remédio. O problema é que a droga, que já é vendida até mesmo pela internet, pode desencadear uma série de efeitos colaterais se mal administrada: convulsões, taquicardia, dificuldade para respirar, confusão mental e espasmos musculares.

O neurologista Rubens Gagliardi, membro da Academia Brasileira de Neurologia, afirma que a Ritalina é potencialmente perigosa para pacientes com problemas cardiovasculares, uma vez que a substância é um tipo de anfetamina. “Nessas pessoas podem ocorrer interações medicamentosas danosas ao organismo”, explica. Há, ainda, problemas de dosagens. Se grande parte das crianças com TDAH toma meio comprimido por dia para se tratar, nos fóruns dos ‘concurseiros’ na web há relatos de gente sem a doença que ingere duas cápsulas de uma só vez. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

segunda-feira, 25 de junho de 2012

NEURO MITOS


Revista Nova Escola
Junho/2012

Você sabe o que são neuromitos?
Nada melhor para um professor do que terminar uma aula com a sensação de dever cumprido: novos conhecimentos desenvolvidos, olhares atentos, discussões produtivas, crianças envolvidas e cada vez mais sabidas. Porém, quem nunca se sentiu frustrado diante de um aluno que apresenta grandes dificuldades, apesar dos seus esforços em ensiná-lo? Ou ao se deparar com garotos e garotas que não se concentram nas aulas? Nesse cenário, as descobertas da Neurociência sobre como o cérebro funciona servem de base para uma série de tentativas de explicar ou reverter casos de fracasso dos alunos - e do professor em ajudá-los.
Algumas ideias oriundas de dados neurocientíficos, porém, não passam de especulações, que acabam sendo derrubadas posteriormente. São os chamados neuromitos. Conheça cinco deles, saiba como surgiram e por que não se mostraram consistentes:

Mito 1 Há períodos críticos para cada aprendizagem. Se a pessoa não aprender durante esse período, ela não desenvolverá mais esse conhecimento
Embasamento: O conceito de períodos críticos provém de experimentos comportamentais feitos com animais. Um deles foi realizado nos anos 1960 por Torsten Wiesel e David Hubel, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Eles cobriram um dos olhos de um gato e tiraram a venda apenas três meses depois, para investigar que efeito isso teria no cérebro do animal. A área neuronal responsável pela visão foi severamente danificada e o gato ficou cego do olho que havia sido tampado. A partir de constatações como essa se concebeu a ideia de que existiriam janelas de aprendizado, ou seja, passado o período crítico para desenvolver certo conhecimento, não seria possível mais recuperá-lo.

Como foi derrubado: Pesquisas posteriores já reconhecem que essas janelas não são tão fortemente delineadas e são influenciadas por outros fatores, como o tipo de estímulo. O termo usado passou a ser “período sensível” ao estágio de desenvolvimento. Além disso, embora possam existir fases sensíveis para determinados aprendizados, a capacidade de formar sinapses, ou seja, de o cérebro fazer novas ligações entre os neurônios, se mantém durante toda a vida do sujeito. É o conceito conhecido como plasticidade cerebral. Isso indicaria que as pessoas podem aprender em qualquer momento da vida. “O aprendizado de uma segunda língua, por exemplo, é feito com perfeição nos primeiros anos de vida, enquanto uma aprendizagem posterior geralmente não pode evitar a presença de um sotaque evidente. Contudo, mesmo isso pode, em certos casos, ser corrigido, mas acarreta um grande esforço adicional”, dizem os médicos e doutores em Ciência do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Ramon M. Cosenza e Leonor B. Guerra no livro Neurociência e Educação: Como o Cérebro Aprende (151 págs., Ed. Artmed, tel.: 0800 703 3444, 44 reais).

Mito 2 É preciso estimular a criança ao máximo até os 3 anos de idade, que é quando o cérebro humano está no auge da quantidade de conexões sinápticas e de neurônios

Embasamento: De fato, diversas investigações científicas comprovam que, nos primeiros dez meses de vida, o bebê tem um aumento imenso da quantidade de proliferação sináptica, que supera a de um adulto. Depois, aquelas estruturas neurais que não são usadas ou são pouco eficientes vão sendo eliminadas. Com isso passou-se a acreditar que era necessário aproveitar esse período da vida da criança para inundá-la de informação e estimulá-la ao máximo, assim ela iria atingir um grau maior de desenvolvimento cognitivo.

Como foi derrubado: Não há nenhuma comprovação científica que ateste a eficácia de submeter uma criança pequena a uma quantidade muito elevada de estímulos e a informações complexas demais para a faixa-etária dela. Além disso, a queda da quantidade de sinapses já é vista pelos neurocientistas como uma forma natural de eliminar gastos desnecessários de energia do corpo e de lapidar as funções cerebrais. No artigo Pedagogy meets neuroscience (Pedagogia encontra neurociência, em português), publicado na revista Science em 2005, a psicóloga Elsbeth Stern afirma que as crianças que são incentivadas a memorizar fatos isolados no início da vida não apresentam melhor retenção a longo prazo do que seus pares, que não foram submetidos a uma bateria de estímulos do tipo.

Mito 3 Usamos somente 10% da capacidade de nosso cérebro

Embasamento: Não se sabe exatamente quando e porque esse mito surgiu. Uma das hipóteses é que tenha sido uma má-interpretação de parte do texto The Energies of Men (As energias do homem, em português), de William James (1842-1910) - considerado um dos fundadores da psicologia nos Estados Unidos -, em que ele dizia que a maioria das pessoas põe em prática apenas uma pequena parte de seu potencial intelectual.

Como foi derrubado: Diversas técnicas empregadas pela neurociência de medição da atividade cerebral (tomografia, ressonância magnética etc) mostram que não existem áreas inativas no cérebro. O neurologista Barry L. Beyerstein afirma no artigo Do we really use only 10% of our brains? (Nós usamos realmente só 10% de nosso cérebro?, em português), na revista Scientific American, em 2004, que ninguém jamais encontrou uma porção do cérebro que nunca tivesse sido usada.

Mito 4 Pessoas que utilizam o lado esquerdo do cérebro têm facilidade para comunicação oral e são mais lógicos. Já aquelas que usam o lado direito são mais criativas e artísticas

Embasamento: Dentre as diversas investigações envolvendo esse conceito, uma pesquisa conduzida pelo neurocientista Roger Sperry, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, o psicólogo Michael S. Gazzaniga, da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, desde a década de 1960, que analisou pacientes submetidos a cirurgia para separar os dois hemisférios cerebrais na tentativa de interromper um tipo de epilepsia, mostrou que realmente os dois lados do cérebro são bastante diferentes. Em grande parte das pessoas, o esquerdo cuida dos aspectos da linguagem, enquanto o direito especializa-se em uma parte significativa das habilidades visuais e espaciais.

Como foi derrubado: Estudos neurocientíficos sugerem que os dois hemisférios funcionam de forma coordenada e mesmo as diferenças existentes são relativas. O livro Compreendendo o Cérebro, da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), afirma: “dados recentes mostram que, quando o processo de leitura é analisado em seus componentes menores, subsistemas são ativados em ambos os hemisférios cerebrais”.

Mito 5 O “efeito Mozart” - Crianças que ouvem músicas de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) se tornam mais inteligentes.
Embasamento: Em 1993, Gordon Shaw e Frances Rauscher, pesquisadores da Universidade da Califórnia, fizeram um experimento com estudantes universitários em que um grupo escutava a Sonata para Dois Pianos em Ré Maior, de Mozart, e o outro não. Depois, os participantes dos dois grupos tinham de responder a um teste de inteligência. Os resultados dessa pesquisa demonstrou que aqueles que haviam ouvido à musica apresentaram resultados melhores no teste.
Como foi derrubado: Nenhum outro cientista foi capaz de reproduzir os resultados alcançados por Shaw e Rauscher. Claudia Lopes da Silva, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) com a tese Concepção histórico-cultural do cérebro na obra de Vigotski, diz que: “Embora outros pesquisadores não tenham conseguido repetir estes resultados (o que torna as conclusões do estudo não fundamentadas), isso não impediu que a pesquisa ganhasse grande popularidade, chegando ao ponto em que os governos dos estados norte-americanos do Tennessee e da Geórgia viessem a distribuir um CD de Mozart para cada recém-nascido”.