quarta-feira, 25 de julho de 2012

MARCA PASSO NO CÉREBRO PARA TRATAR OBESIDADE


MARIANA VERSOLATO
FOLHA DE SÃO PAULO 24/07/2012

Usado há quase duas décadas no controle dos sintomas da doença de Parkinson, o marca-passo cerebral será testado pela primeira vez no Brasil para obesidade mórbida e depressão.
A esperança é adicionar mais uma opção ao arsenal de tratamentos, como medicamentos e cirurgia.
As pesquisas serão desenvolvidas no Centro de Neurociência do HCor (Hospital do Coração) em parceria com o Ministério da Saúde, por meio do IEP (Instituto de Ensino e Pesquisa) do hospital.
Dois neurocirurgiões brasileiros que acabam de voltar ao país depois de uma longa temporada nos EUA serão os responsáveis pelos estudos.
Professores de neurocirurgia na UCLA (Universidade da Califórnia), Antonio De Salles e Alessandra Gorgulho têm vasta experiência na área.
O grupo de pesquisa do qual fazem parte realizou estudos para o tratamento da depressão com essa técnica. E ambos já desenvolveram pesquisas com a estimulação elétrica cerebral em primatas e suínos para tratar a obesidade mórbida.
"Trata-se de uma ferramenta útil e poderosa que está sendo usada cada vez mais em outras áreas. Com o advento da tecnologia, o potencial de crescimento é enorme", afirma Gorgulho.
Ela diz que no Canadá há uma linha de pesquisa que estuda a técnica para mal de Alzheimer e o próprio casal já fez estudos em animais para o tratamento de estresse pós-traumático.

COMO FUNCIONA
No tratamento da doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, eletrodos são inseridos no cérebro e ligados a um marca-passo colocado sob a pele.
Por meio de impulsos elétricos, os sinais do cérebro que geram tremores e rigidez muscular são inibidos. O tratamento é reversível.
Já para tratar a depressão um dos novos estudos vai testar a eficácia da neuromodulação no nervo trigêmeo, cujas fibras carregam informações sensoriais e as projetam para estruturas do cérebro envolvidas na doença.
Pela primeira vez, os eletrodos serão implantados sob a pele nesse nervo e conectados a um marca-passo para tratar a depressão. A pesquisa deverá ter 22 participantes.
Para a obesidade mórbida o objetivo é implantar eletrodos cerebrais em uma área responsável pela saciedade em seis pacientes que não obtiveram sucesso com a cirurgia bariátrica.
"Também será a primeira vez que os eletrodos serão implantados nesse alvo do hipotálamo para obesidade. A ideia é verificar segurança e viabilidade", diz Gorgulho.
Segundo Henrique Ballalai, da Academia Brasileira de Neurologia, um estudo como esse faz bastante sentido porque há áreas do cérebro que controlam o apetite.
"Mas tem que ter um grande comprometimento; não se pode pensar que isso poderá ser usado para estética", diz.
Otávio Berwanger, diretor do Instituto de Ensino e Pesquisa do HCor, diz que a pesquisa visa uma nova alternativa para os pacientes com obesidade avançada que falharam com todas as opções de tratamento.
Ele ressalta, porém, que se tratam de pesquisas iniciais, que devem ter início em 2013. Apesar de a técnica cirúrgica ser segura e conhecida, é necessário que os estudos apontem que ela também é eficaz para essas novas aplicações.



sábado, 7 de julho de 2012

CÉLULAS TRONCO PARA RESTABELECER A VISÃO


Milhões de células fotorreceptoras que residem na retina humana captam luz e a transmitem sinais para o cérebro. Quando essas células coletoras de luz morrem, há perda de visão. Na esperança de reverter a cegueira, pesquisadores passaram a investigar as células-tronco, e experimentos recentes mostraram que elas poderiam substituir fotorreceptores perdidos na forma mais comum de cegueira, a degeneração macular. O problema afeta 10% dos americanos com mais de 65 anos. Ele danifica primeiramente a mucosa protetora chamada epitélio do pigmento da retina (EPR), que transporta nutrientes para as células fotorreceptoras e é vital para sua sobrevivência. Um transplante de tecido EPR novo pode salvar esses fotorreceptores moribundos.

A abordagem, porém, não costuma ser viável por causa da grande quantidade de tecido necessária para tratar milhões de pessoas que mostram os sinais de início da doença. cientistas da empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology, em Worcester, Massachusetts, conseguiram gerar uma fonte abundante de células EPR. Em 2004, criaram uma forma de persuadir células-tronco embrionárias a se transformar em tecido EPR transplantável. Num experimento seguinte, injetaram as células transformadas nos olhos de ratos com um defeito genético localizado no tecido EPR, que levava à destruição de suas células fotorreceptoras. Os pesquisadores relataram no periódico Cloning and Stem Cells de setembro de 2006 que várias semanas após o transplante, tempo suficiente para os efeitos da doença surgirem, os ratos que haviam recebido o tratamento ainda eram capazes de acompanhar listras num cilindro em rotação duas vezes melhor que os não tratados. Sua visão, entretanto, ainda estava bem abaixo do normal.
Em última análise, para tratar casos avançados de degeneração macular ou outros problemas nas células fotorreceptoras, será preciso reparar as próprias células afetadas. Recentemente, pesquisadores da University College de Londres e de outras instituições anunciaram que extraíram células de retinas de ratos em diferentes estágios de desenvolvimento e as transplantaram com sucesso em ratos cegos. Eles descobriram que células fotorreceptoras imaturas de ratos recém-nascidos saudáveis, e não células embrionárias ou de ratos adultos, têm a capacidade de migrar para a região correta da retina e continuar a se desenvolver como células fotorreceptoras maduras. As pupilas que receberam essas células também se tornaram muito mais sensíveis à luz que aquelas que não receberam o transplante. Tais descobertas sugerem qual é o melhor estágio do desenvolvimento realizar esse transplante – por exemplo, células fotorreceptoras precisam ser relativamente mais maduras que células-tronco, de acordo com Thomas Reh, da Universidade de Washington, que estuda o desenvolvimento da retina. O equivalente humano das células de ratos, no entanto, precisa ser isolado de retinas fetais, o que levanta o problema de encontrar uma fonte para as imaturas. Células-tronco da córnea ou adultas podem ser alternativas para a geração de fotorreceptoras imaturas.

Em seu laboratório, Reh transforma células-tronco embrionárias em células-tronco da retina, mas apenas 6% delas se tornam fotorreceptoras. Esse rendimento, apesar de baixo, não é desencorajador, de acordo com Evan Snyder, pesquisador de células-tronco do Instituto Burnham de Pesquisa Médica em La Jolla, na Califórnia. Ao estudarem o que impele esses 6% a se tornar células fotorreceptoras, os pesquisadores podem descobrir como gerar um número maior de células transplantáveis. Eles também podem criar uma forma de selecionar as células certas de uma população mista: Anand Swaroop, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, trabalha numa forma de identificar e selecionar células receptoras concentrando-se nas proteínas presentes na sua superfície. Depois de gerar uma fonte e superar as preocupações de segurança associadas com o transplante de células-tronco, os pesquisadores ainda encaram seu maior desafio: mostrar que os fotorreceptores transplantados se comunicam com outros neurônios que irão com o tempo se ligar ao nervo óptico. Cada fotorreceptor precisa fazer centenas de ligações críticas. “Ter o tipo de célula certa não significa ter encontrado a maneira certa de conectar o circuito”, diz Snyder. Os fotorreceptores imaturos transplantados de retinas de ratos mostram atividade, mas Swaroop adverte que testes comportamentais precisam determinar que as células fotorreceptoras estão sendo reparadas. Uma ligação parcial pode gerar a atividade vista nas pupilas dos ratos, mas a melhora real da visão depende da capacidade dos animais de reagir a cores e outros sinais visuais. Afinal, é preciso ver para crer.
Alison Snyder, para a revista Mente e Cérebro


Cones, células da visão em cores da retina, vistas por microscopia eletrônica.

domingo, 1 de julho de 2012

CÉLULAS TRONCO BENEFICIAM CAMUNDONGOS COM DISTROFIA MUSCULAR



Pela primeira vez, cientistas conseguiram transformar células adultas de pacientes com distrofia muscular em células-tronco e obter a partir destas células precursoras de músculos. A nova técnica pode ser usada no futuro para tratar pacientes com distrofia muscular de cintura-membro, um tipo raro da doença que ataca ombros e quadril, e possivelmente outras variações. O estudo foi publicado no periódico Science Translational Medicine.
Há nove formas de distrofia muscular. São doenças que atacam o músculo esquelético e prejudicam a mobilidade do paciente. Nos casos mais severos, causam disfunção respiratória e cardíaca. Não há tratamento, embora muitas abordagens estejam entrando na fase de testes clínicos, inclusive a terapia com células-tronco.
Técnica inovadora 
No novo estudo, os cientistas primeiro modificaram geneticamente uma célula chamada mesoangioblasto, que pode ser derivada de vasos sanguíneos e que, em estudos anteriores, mostrou potencial para tratar a distrofia muscular. Contudo, os pesquisadores descobriram que não era possível conseguir um número suficiente de mesoangioblastos de pacientes com distrofia muscular de cintura.

Os cientistas então reprogramaram células adultas de pacientes com distrofia muscular de cinturas em células-tronco. Essas células foram diferenciadas em mesoangioblastos. Em seguida, as novas células foram injetadas em camundongos com distrofia muscular. Os cientistas observaram que as células injetadas se acumularam nas fibras musculares dos animais.

Os pesquisadores também mostraram que quando as células eram derivadas de camundongos, e não de humanos, as células transplantadas fortaleciam o músculo danificado e permitiam aos animais doentes correr por mais tempo do que camundongos doentes que não receberam as células. Os pesquisadores agora avaliam o procedimento para iniciar testes clínicos com humanos. "Essa técnica pode ser útil para o tratamento futuro de distrofia muscular de cinturas e possivelmente outros tipos", disse Francesco Tedesco, chefe da pesquisa.



Fonte: Revista Veja






terça-feira, 26 de junho de 2012

QUANTAS FIGURAS VOCÊ ESTÁ VENDO?



Se você respondeu que são dois idosos se olhando você acertou. Se você disse que são dois homens sentados, um deles tocando violão, também acertou. Trata-se de um caso de ilusão de óptica clássico, mas a medida que você descobre o mistério não consegue mais se confundir.

QUANTAS PERNAS TEM ESSE ELEFANTE?


QUADRADOS ESQUISITOS

VOCÊ ACHA QUE ESSES QUADRADOS ESTÃO ALINHADOS?



Sim, todos estão alinhados, é o fundo que nos ilude com essa perspectiva. O cérebro foi enganado mais uma vez!!

SERÁ ILUSÃO?

OLHE PARA ESSA FIGURA. OS CÍRCULOS ESTÃO GIRANDO?




Nada está girando; o desenho não se mexe. Os movimentos estão no nosso cérebro; trata-se de uma ilusão de ótica feita para pegar nosso cérebro.

IMAGEM DA SEMANA



IMAGEM DE MICROSCOPIA FLUORESCENTE DE HIPOCAMPO DE RATO


Description: Widefield multiphoton fluorescence image of Rat hippocampus stained to reveal the distribution of glia (cyan), neurofilaments (green) and cell nuclei (yellow). 2nd Prize, 2010 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®.

Author: Thomas Deerinck and the 2010 Olympus BioScapes Digital Imaging Competition®

 http://www.cellimagelibrary.org/images/40967