domingo, 28 de abril de 2013

Pesquisa altera o que se pensava sobre recuperação de lesões no cérebro


Estudo publicado na revista Nature mostra que células que pareciam prejudicar a recuperação de áreas lesionadas são fundamentais para a cicatrização e o combate a hemorragias

Estado de MinasPublicação:25/04/2013


Poucas estruturas foram tão estudadas como o cérebro nas últimas décadas. Mesmo assim, ele ainda se mostra misterioso e capaz de surpreender os cientistas a qualquer momento. Um estudo feito com ratos na Universidade Duke, nos Estados Unidos, e publicado na edição de hoje da revista Nature indica que um tipo de célula nervosa tido até agora como um fator que dificultava a recuperação cerebral depois de traumas tem, na verdade, o papel oposto, sendo essencial para estancar sangramentos e, assim, promover o reparo do órgão.

Chamados de astrócitos (devido ao curioso formato, que lembra o de uma estrela), esses elementos são produzidos por células-tronco do cérebro após algum dano, como uma forte batida na cabeça. De acordo com os especialistas, eles migram para o local danificado com o objetivo de facilitar a recuperação da região. “Muito estudos investigam formas de produção de neurônios para a recuperação de áreas prejudicadas do cérebro. Mas nada disso adianta se houver um sangramento e ele não for interrompido. De alguma maneira, o cérebro sabe disso e produz esses astrócitos em resposta a um dano”, afirma, em um comunicado divulgado pela universidade, Chay T. Kuo, um dos principais autores da pesquisa.

Ao mencionar essas pesquisas, Kuo refere-se também à própria equipe, que se dedica a investigar formas de substituir células perdidas depois de traumas sofridos pelo cérebro. Uma vez danificados, neurônios maduros não podem mais se multiplicar. Por isso, a estratégia de pesquisadores tem sido induzir células-tronco a produzirem mais neurônios para substituir os perdidos.

Até agora, esse enfoque tem obtido pouco sucesso. Os cientistas desconfiavam que um dos problemas seria a criação excessiva de astrócitos e oligodendótricos, ambos chamados de células gliais, após os traumas. Embora soubessem da importância dessas duas estruturas para o funcionamento dos neurônios, os pesquisadores consideravam o aumento no número de astrócitos um efeito indesejado, pois parecia associado à secreção de proteínas que induzem a inflamação de tecidos e mutações genéticas ligadas à formação de tumores agressivos.

Inesperado Por isso, o grupo de Duke decidiu bloquear a fabricação dos astrócitos no cérebro de camundongos para ver o que aconteceria quando o órgão sofresse um forte trauma. Em vez de eliminar a inflamação que parecia atrapalhar a substituição dos neurônios, a estratégia fez com que a hemorragia não parasse nunca e a área lesionada não fosse curada. O resultado inesperado levou os pesquisadores a observar mais atentamente o processo. Eles notaram, então, que os astrócitos produzidos após um trauma não são como os demais.

As células-tronco ficam em uma área especial do cérebro adulto chamada zona ventricular. De lá, elas lançam neurônios e células gliais de acordo com as necessidades de cada região. Quando o cérebro sofre algum tipo de lesão, elas geram esse grupo especial de astrócitos, que corre diretamente para a área afetada e ajuda a produzir uma cicatriz organizada, que interrompe o sangramento e permite, assim, a recuperação do tecido.

Com o experimento, Kuo e seus colegas não conseguiram resolver o problema da forma que esperavam, mas acabaram descobrindo um novo campo de investigações que pode levar a formas de tratar cérebros lesionados, um problema muito comum que, somente nos Estados Unidos, atinge 1,7 milhão de pessoas por ano. Os estudos futuros podem também ajudar no tratamento de acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame.

“Nós estamos muito empolgados com essa flexibilidade inata demonstrada pelas células-tronco neurais, que sabem exatamente o que fazer para ajudar o cérebro depois de uma lesão”, afirma o pesquisador. “Como hemorragias são um problema comum em pacientes que sofrem trauma no cérebro, novas investigações podem levar a terapias mais eficazes para acelerar a recuperação cerebral”, acrescenta.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Novos investimentos no projeto Brain


Matéria publicada na Folha de São Paulo:03/04/2013

O governo americano anunciou ontem um pacote de US$ 110 milhões para incentivar avanços em neurociências, com a principal parcela saindo do Departamento de Defesa do país.
A Darpa, maior agência estatal de pesquisa militar, deve desembolsar US$ 50 milhões em 2014, os NIH (Institutos Nacionais de Saúde), US$ 40 milhões, e a Fundação Nacional de Ciências, US$ 20 milhões.
A iniciativa, batizada de Brain --cérebro, em inglês, e um acrônimo para "Pesquisa do Cérebro por Avanços Neurotecnológicos Inovadores"--, foi lançada ontem pelo presidente Barack Obama e seu orçamento deve ser enviado ao Congresso dos EUA na semana que vem.
Editoria de Arte/Folhapress

A ideia é que o programa seja uma empreitada de longo prazo, como aquela que sustentou o sequenciamento do genoma humano na década de 1990.
Segundo a Casa Branca, o objetivo é "acelerar o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias para permitir que pesquisadores produzam imagens dinâmicas do cérebro que mostrem como células cerebrais individuais e circuitos neurais complexos interagem à velocidade do pensamento".

SEM PRAZO
A iniciativa, que recebeu promessas de investimento de mais US$ 158 milhões por parte da iniciativa privada, não estabeleceu nenhuma meta concreta, ainda.
Não há, por exemplo, um prazo para que cientistas tentem mapear as sinapses (conexões entre neurônios) humanas em sua totalidade ou uma meta para a precisão a ser atingida por aparelhos de ressonância magnética.
Francis Collins, diretor dos NIH e ex-líder do Projeto Genoma Humano, disse que um grupo de trabalho vai definir metas científicas detalhadas para os investimentos.
A equipe é liderada por Cornelia Bargmann, da Universidade Rockefeller, e William Newsome, da Universidade Stanford. Eles serão responsáveis por desenvolver um cronograma e determinar o que exatamente significa a "decodificação" do cérebro proposta por Obama em seu discurso.
"Imagine o que poderíamos fazer uma vez que quebrássemos esse código", disse o presidente numa pergunta retórica. Ele citou como possíveis benefícios dos investimentos os avanços em pesquisa sobre parkinson, alzheimer e autismo.
O papel do investimento da Darpa foi justificado como um meio de aprimorar o tratamento do estresse pós-traumático e de criar próteses neuromotoras para vítimas de lesão cerebral e amputação --problemas comuns entre veteranos de guerra.
Obama também apelou à competitividade. "Não podemos perder essa oportunidade, pois o resto do mundo está na corrida", disse.
O investimento do governo americano na iniciativa, porém, é menor do que o bilhão de euros que a União Europeia promete colocar no Projeto Cérebro Humano, cuja meta é simular o cérebro num computador.
Para chegar à escala do Projeto Genoma Humano, de US$ 3 bilhões, a iniciativa Brain precisaria ter um financiamento na escala atual por mais de uma década.
O maior contribuinte privado é a Fundação Allen --de Paul Allen, cofundador da Microsoft--, que promete US$ 60 milhões. Os outros são o Instituto Salk (US$ 28 mi), o Instituto Médico Howard Hughes (US$ 30 mi) e a Fundação Kavli (US$ 40 mi).

sábado, 9 de março de 2013

Curso Distúrbios do Sono-PUC Rio



Curso de Extensão em Distúrbios do Sono

Programação



Dia 1              26 / 04 / 2013  -  sexta

Manhã  -  08:40 às 12:00

Mesa redonda – Sono normal e alterado
Fisiologia e estagiamento do sono
Classificação dos distúrbios do sono
Abordagem na suspeita de alterações do sono
Debate com caso clínico
Conseqüências cardiovasculares da Apnéia do Sono
Síndrome das pernas inquietas e movimento periódico de membros
Apnéia do sono e o risco cirúrgico

Tarde  -  13:30 às 17:00

Abordagem da sonolência residual pós-tratamento
Roncos e Apnéia: problema social ou de saúde?
Mesa redonda – Diagnóstico
Ferramentas de diagnóstico: há mais de um tipo de Polissonografia?
Artefatos no exame de Polissonografia: compreendendo e evitando
O laudo da Polissonografia como ferramenta de orientação ao tratamento
Debate com caso clínico
Terapia cognitivo-comportamental nos distúrbios do sono
Estruturação para laboratório e exames do sono

Dia 2              27 / 04 / 2013  -  sábado

Manhã  -  09:00 às 12:00

Mesa redonda – Tratamento I
Abordagem Bucomaxilofacial nos distúrbios respiratórios do sono
Otorrinolaringologia: avaliação e tratamento dos distúrbios respiratórios do sono
Bruxismo e Apnéia Obstrutiva: indicações de uso do aparelho intra-oral
Debate com caso clínico
Doença de Refluxo Gastro Esofágico e o Sono
O papel dos exames dinâmicos na avaliação dos distúrbios respiratórios do sono
Investigação radiológica dos distúrbios respiratórios do sono

Tarde  -  13:30 às 16:30

Dinâmica do registro do sono por polissonígrafo
Mesa redonda – Tratamento II
Titulação: protocolos diferentes têm o mesmo resultado?
Algoritmo dos aparelhos de PAP (CPAP e BiPAP)
Uso dos aparelhos de PAP (CPAP e BiPAP)
Como melhorar a adesão ao tratamento
Debate com caso clínico
Workshop – Orientando e desmistificando o uso do PAP

Informações: www.cursosono.com.br

terça-feira, 5 de março de 2013

Vacina para combater a Doença de Alzheimer


Vacina desenvolvida em laboratório espanhol, com bons resultados, em cobaias, na redução da concentração de proteína B amilóide.

International Journal of Alzheimer's Disease
Volume 2012 (2012), Article ID 376138, 17 pages
doi:10.1155/2012/376138
Research Article

Vaccine Development to Treat Alzheimer’s Disease Neuropathology in APP/PS1 Transgenic Mice

1Department of Neurosciences, EuroEspes Biotechnology, Polígono de Bergondo, Nave F, 15165 A Coruña, Spain
2EuroEspes Biomedical Research Center, Institute for CNS Disorders and Genomic Medicine and EuroEspes Foundation, 15166 La Coruña, Spain
3Neuroscience Division, Atlas Pharmaceuticals, Sunnyvale, CA 94089, USA
Abstract
A novel vaccine addressing the major hallmarks of Alzheimer’s disease (AD), senile plaque-like deposits of amyloid beta-protein (Aβ), neurofibrillary tangle-like structures, and glial proinflammatory cytokines, has been developed. The present vaccine takes a new approach to circumvent failures of previous ones tested in mice and humans, including the Elan-Wyeth vaccine (AN1792), which caused massive T-cell activation, resulting in a meningoencephalitis-like reaction. The EB101 vaccine consists of A 𝛽1-4 2delivered in a novel immunogen-adjuvant composed of liposomes-containing sphingosine-1-phosphate (S1P). EB101 was administered to APPswe/PS1dE9 transgenic mice before and after AD-like pathological symptoms were detectable. Treatment with EB101 results in a marked reduction of Aβplaque burden, decrease of neurofibrillary tangle-like structure density, and attenuation of astrocytosis. In this transgenic mouse model, EB101 reduces the basal immunological interaction between the T cells and immune activation markers in the affected hippocampal/cortical areas, consistent with decreased amyloidosis-induced inflammation. Therefore, immunization with EB101 prevents and reverses AD-like neuropathology in a significant manner by halting disease progression without developing behavioral spatial deficits in transgenic mice.

sábado, 2 de março de 2013

Nova estimulação cerebral pra tratar Doença de Parkinson

Desenvolvimento recente, a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês) consiste em implantar eletrodos metálicos no cérebro com o objetivo de estimular áreas específicas por meio de impulsos elétricos. O procedimento tem mostrado bons resultados no tratamento de dor crônica, epilepsia e dos tremores causados pelo Parkinson. Agora, uma tecnologia ainda mais sofisticada pode ampliar os efeitos da DBS: magnetos microscópicos, capazes de agir com maior precisão, pois os eletrodos metálicos, apesar de minúsculos, são muito volumosos para atingir os circuitos neurais mais intrincados. 



Em uma série de experimentos relatada na Nature Communications, os neurofisiologistas John T. Gale, da Fundação Clínica Cleveland, e Giorgio Bonmassar, da Universidade Harvard, especialista em imageamento cerebral, testaram se micromagnetos (que têm menos da metade de um milímetro de diâmetro) poderiam induzir neurônios da retina de coelhos a disparar. Eles descobriram que quando energizavam eletricamente um icromagneto posicionado perto de um neurônio a célula se ativava. 



Ao contrário das correntes elétricas induzidas pela DBS, que excita neurônios em várias direções, os campos magnéticos, como o que envolve a Terra, percorrem linhas de polo a polo. Os pesquisadores observaram que é possível dirigir o estímulo precisamente para um neurônio específico e até mesmo para areas particulares da célula. “Isso pode nos ajudar a evitar alguns efeitos colaterais da DBS, como as emoções negativas que por vezes são desencadeadas em pacientes com Parkinson submetidos ao tratamento para aliviar tremores”, diz Gale. 



Além disso, os magnetos, de revestimento plástico, estão menos sujeitos à corrosão que os eletrodos de metal, o que previne possíveis inflamações dos tecidos cerebrais. “Pesquiso a DBS há 14 anos e o uso de magnetos se revelou um meio totalmente inovador de ativação cerebral. Se as pesquisas com animais continuarem a demonstrar que são seguros e eficazes, eles poderão ser testados em humanos dentro dos próximos 5 anos”, diz Gale.

Fonte: menteecerebro
Esquema que ilustra a atual estimulação cerebral profunda na Doença de Parkinson (DBS)

Novos caminhos para a neurociência


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Pesquisadores identificam enzima que pode combater Alzheimer

Pesquisadores da Clínica Mayo, na Flórida, identificaram uma enzima que pode ajudar a combater o Alzheimer. A substância, conhecida como BACE2, é capaz de destruir os beta-amiloides, pedaços de proteína presentes no cérebro dos pacientes. A descoberta foi publicada, nesta segunda-feira, na versão on-line da revista Molecular Neurodegeneration.

O Alzheimer é a maior causa de demência em todo o mundo, e ainda não tem nenhum método efetivo de tratamento. A hipótese mais aceita sobre suas causas envolve uma proteína chamada APP, que é quebrada por enzimas do corpo e produz os beta-amiloides. Eles se acumulam como placas no cérebro dos pacientes, danificando as células locais. 
Os pesquisadores da Mayo Clinic testaram 352 enzimas presentes no corpo humano, tentando diminuir os níveis de beta-amiloides. Entre todas as testadas, a BACE2 foi a que conseguiu reduzir esses níveis com mais efetividade. O resultado surpreendeu os cientistas, uma vez que a BACE2 é muito semelhante à BACE1, enzima envolvida justamente na produção dos beta-amiloides. "Apesar da similaridade, as duas enzimas têm efeitos completamente opostos", diz Malcolm A. Leissring, neurocientista da Clínica Mayo e um dos autores do estudo.
Mecanismo - Para se transformar em beta-amiloides, a APP precisa ser cortada em dois pontos diferentes pelas enzimas do corpo humano. A BACE1 é a enzima responsável por fazer o primeiro desses cortes. Trabalhos anteriores já haviam mostrado que a BACE2 poderia atrapalhar esse processo, cortando a APP em pontos diferentes e prevenindo a formação dos beta-amiloides. No entanto, esse processo, embora eficiente na prevenção, não parecia funcionar no combate à doença.
O que a nova pesquisa mostra é que a BACE2 é capaz também de cortar os beta-amiloides já existentes em pedaços menores, destruindo a molécula. A pesquisa encontrou outras enzimas capazes de fazer o mesmo, mas nenhuma com eficiência parecida.  "O fato de a BACE2 diminuir os beta-amiloides por dois mecanismos distintos faz dela uma candidata especialmente interessante para a terapia genética para tratar o Alzheimer", diz a neurocientista Samer Abdul-Hay, uma das autoras do estudo.
A pesquisa sugere que níveis menores de BACE2 no corpo humano podem aumentar o risco de Alzheimer. Agora, os pesquisadores pretendem estudar se o bloqueio da ação da enzima pode aumentar o risco da doença em ratos.
Fonte: Revista Veja 18/09/2012

Resumo do artigo original publicado em setembro na Molecular Neurodegeneration
Research article


Samer O Abdul-Hay, Tomoko Sahara, Melinda McBride, Dongcheul Kang and Malcolm A LeissringIdentification of BACE2 as an avid SZ-amyloiddegrading protease

Background

Proteases that degrade the amyloid SZ-protein (ASZ) have emerged as key players in the etiology and potential treatment of Alzheimer's disease (AD), but it is unlikely that all such proteases have been discovered. To discover new ASZ-degrading proteases (ASZDPs), we conducted an unbiased, genome-scale, functional cDNA screen designed to identify proteases capable of lowering net ASZ levels produced by cells, which were subsequently characterized for ASZ-degrading activity using an array of downstream assays.

Results

The top hit emerging from the screen was SZ-site amyloid precursor protein-cleaving enzyme 2 (BACE2), a rather unexpected finding given the well-established role of its close homolog, BACE1, in the production of ASZ. BACE2 is known to be capable of lowering ASZ levels via non-amyloidogenic processing of APP. However, in vitro, BACE2 was also found to be a particularly avid ASZDP, with a catalytic efficiency exceeding all known ASZDPs except insulin-degrading enzyme (IDE). BACE1 was also found to degrade ASZ, albeit ~150-fold less efficiently than BACE2. ASZ is cleaved by BACE2 at three peptide bonds--Phe19-Phe20, Phe20-Ala21, and Leu34-Met35--with the latter cleavage site being the initial and principal one. BACE2 overexpression in cultured cells was found to lower net ASZ levels to a greater extent than multiple, well-established ASZDPs, including neprilysin (NEP) and endothelinconverting enzyme-1 (ECE1), while showing comparable effectiveness to IDE.

Conclusions

This study identifies a new functional role for BACE2 as a potent ASZDP. Based on its high catalytic efficiency, its ability to degrade ASZ intracellularly, and other characteristics, BACE2 represents a particulary strong therapeutic candidate for the treatment or prevention of AD.

B



domingo, 16 de setembro de 2012

POLÍTICAS PARA O AVC


Jornal do Brasil/Vanderson Carvalho Neri*
O Acidente Vascular Cerebral (AVC como é conhecido popularmente), é a principal doença primária, em números absolutos, que atinge o sistema nervoso central em nosso país, só perdendo para os traumatismos, que são consideradas causas secundárias de lesão. Trata-se de uma doença de alta prevalência, que atualmente deixou de ser uma enfermidade preferencial da população idosa e vem acometendo em maior número também indivíduos jovens, que anteriormente estavam fora da faixa de riscos para essa condição.
Primeira causa de morte e incapacidade por doença crônica no Brasil, o AVC constitui ainda hoje um problema de saúde pública nacional porque vem atingindo, sobretudo, uma parcela economicamente ativa da sociedade. Devido à sua magnitude de acometimento em todas as classes sociais e com uma incidência crescente com o passar dos anos, a doença também é uma questão econômica importante, pois contribui com um enorme déficit da previdência social, que tem que custear proventos para essa classe laboralmente acometida.
Em recente divulgação do Ministério da Saúde para o tratamento do AVC, foi instituído que será ampliada a distribuição de medicamentos e o atendimento a pacientes que se tratam pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. Essas políticas foram divulgados durante as atividades do Dia Mundial do AVC, lembrado sempre no dia 29 de outubro em todo o mundo, e com previsão de ocorrer a partir desse ano, cujo objetivo é amenizar o impacto e os danos da doença em nossa população.
A proposta do governo para abordar esse dilema é aumentar os leitos hospitalares, sobretudo os de UTIs, criar novos centros de referência e amplificar a distribuição de medicamentos específicos, os chamados trombolíticos, que “dissolvem” o coágulo, quando a causa é por uma isquemia cerebral; esse medicamento quando utilizado a tempo, pode evitar sequelas e a até a morte do paciente.
Essas iniciativas, apesar de muito importantes, não serão suficientes para barrar o avanço da doença, que vem seqüelando pessoas de uma ampla faixa etária e em todas as regiões do país, em uma curva ascendente de progressão. Novos leitos hospitalares, fornecimento de recursos diagnósticos e medicamentos e atendimento domiciliar, que devem custar 440 milhões de reais aos cofres públicos, como prevêem as novas propostas, são importantes para implementar as esferas secundária e terciária do atendimento público e essenciais para o diagnóstico complementar e tratamento, mas de lesões já instaladas e para o seguimento de indivíduos já doentes.
Mas é preciso mais. Deve-se investir também, e prioritariamente, no processo de prevenção primária: no controle da hipertensão arterial, do diabetes, no combate à obesidade, ao tabagismo e implementar programas de alimentação saudável e atividade física, daí a importância dos programas de saúde da família e das ações de prevenção e promoção de saúde. Essas políticas são essenciais haja vista o poder de destruição da hipertensão arterial e do diabetes, por exemplo, doenças silenciosas, muito comuns, que são muitas vezes mal diagnosticadas e que nesse caso, fornecem subsídios para complicações secundárias, como o próprio AVC ou outras doenças tão graves como o infarto do miocárdio. O envelhecimento saudável também deve passar por essas ações, já que nossa sociedade envelhece a passos largos e isso é um fator agravante e, se não for bem conduzido, contribui para a amplificação dos efeitos da doença.
Educar e orientar a população parece ser a via mais fácil e barata para combater essa epidemia de pacientes “sequelados” pelo AVC. Para reduzir de fato o impacto da doença em nossa sociedade é preciso ter em mente que prevenir ainda é melhor do que paliar ou remediar.
*Vanderson Carvalho Neri é médico neurologista

Olho Biônico


Um "olho biônico" que permite ver a claridade devolveu a um homem, cuja visão foi se apagando lentamente nos últimos 30 anos, a esperança de ver algum dia o rosto de seu neto. Elias Konstantopoulos, um eletricista nascido na Grécia e que emigrou para os Estados Unidos quando era jovem, percebeu aos 43 anos que tinha problemas de vista e quando consultou o oculista descobriu que sua visão periférica estava se deteriorando.
Diagnosticado com uma doença incurável conhecida por retinite pigmentosa, que afeta uma em cada três mil pessoas nos Estados Unidos, dez anos depois Elias já não exergava o suficiente para seguir trabalhando.
Em 2009, quando foi perguntado pelo médico se queria participar de uma pesquisa que incluía a aplicação de eletrodos em seu olho e uma câmera sem fios, Elias Konstantopoulos aceitou imediatamente.
Agora, quando está diante da janela e escuta o barulho de um carro passando, Elias é capaz de perceber o movimento de um bloco de luz. Também pode distinguir objetos luminosos coloridos contra fundos negros, se deslocar sem ajuda por sua casa e distinguir se uma porta ou janela estão abertas.
O "olho biônico", chamado de Argus II, é fabricado pela empresa californiana Second Sight. Recentemente aprovado na Europa e nos Estados Unidos, é a esperança para pacientes como Konstantopoulos.
"Sem este sistema, não posso ver nada; mas com ele existe alguma esperança", disse. O Argus II é parte de uma área de conhecimento cada vez mais ampla chamada de neuromodulação, que ajuda as pessoas a recuperar capacidades perdidas como a visão, a audição ou o movimento por estimulação do cérebro, coluna vertebral e nervos.
Fonte: site neuroengenharia.com
Protótipo do olho biônico, que pode auxiliar os cegos a enxergar.

Cego volta a enxergar após ter chip implantado no olho


Cientistas da Alemanha implantaram um chip atrás de uma das retinas de um homem finlandês e este afirma ter voltado a enxergar. Mikka Terho, que sofre de uma rara doença hereditária chamada retinite pigmentosa, começou a ficar cego durante a sua adolescência.

O chip é um apenas um protótipo que fornece avisos visuais, mas os pesquisadores estão tão entusiasmados com os resultados que já pensam em realizar testes no Reino Unido. O comitê de ética britânico aprovou testes com 12 pessoas no país, que serão realizados em Oxford e em Londres.
Essa não é a primeira vez que chips são usados para recuperar a visão. Em outros experimentos, uma câmera montada em óculos envia informações para chips implantados na retina. Porém, o experimento com o chip alemão promete usar os olhos dos próprios cegos para fazê-los enxergar novamente.

Fonte: neuroengenharia.com
BBC Brasil

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

FOTO DA SEMANA


Flagrante Inédito! Este neurônio está sob o efeito da proteína beta-amilóide. A proteína gera uma placa, as chamadas placas de senilidade, que, acredita-se, seriam as principais causas da Doença de Alzheimer. (Foto do Prêmio Eureca New Scientist para Fotos Científicas do Museu Australiano)